How It Started é a música que a gente devia pro Skrilla. Nada disso acontece sem ele. Doot Doot (67) é onde todo fio dessa história volta. Ele gritou o nome do quarteirão dele numa faixa de drill e sem querer deu pro mundo uma palavra nova. Qualquer coisa que a gente faça sobre o 67 tem que começar por aí.
O que a gente não parava de pensar enquanto escrevia é a virada. É o coração de toda a história. Drill é música pesada. O quarteirão de onde vem é pesado. A palavra "67" no contexto original não era um risinho, era um saudação a um lugar que carregou luto de verdade. E aí o mundo pegou e tornou alegre. As escolas começaram a cantar. As crianças começaram a rir. As avós aprenderam o sinal. Isso é uma coisa notável. A música já fez muita coisa estranha na vida. Essa tá no topo.
A gente queria honrar isso sem achatar. O refrão diz direto. "How it started: pain on the block, six-seven. How it's going: whole world screaming six-seven." As duas coisas são verdadeiras ao mesmo tempo. O significado original ainda tá lá. O novo significado também. A música não tenta fingir que o primeiro significado não aconteceu. Diz que os dois podem coexistir.
O pré-refrão é o que mais importa pra gente. "They said it was violent, now the kids all smiling. Turned the darkest corner into something exciting." Não é uma higienização da fonte. É uma descrição do que aconteceu. Um som que significava "cuidado" virou um som que significa "estamos juntos nessa". É um milagre de saúde pública disfarçado de meme.
A virada do verso dois, "Now every teacher scared when they turn to page sixty-seven", é a ponte entre a origem e onde o 67 vive agora. Escolas tentando banir, crianças gritando, toda a energia de topo de montanha. Da calçada pra sala de aula. Dois mundos completamente diferentes, mesma palavra, mesma vibe.
Se alguém do quarteirão da Filadélfia tá lendo isso: a gente vê vocês. Isso é de vocês. A gente só escreveu uma música. Respeito sempre.
Perfect State