Mr. 67 é a música que pega o momento do café do TK e corre com ele. Quando o 67 virou jeito de avaliar coisas, virou jeito de viver. Seu dia era um 6-7. Sua prova de matemática era um 6-7. A pizza do almoço era um 6-7. O significado se dissolveu e virou vibe, e a gente queria uma música que vivesse dentro dessa vibe.
O que não saía da nossa cabeça enquanto a gente escrevia essa é como o 67 é libertador como nota. A gente cresceu online, onde tudo era dez de dez ou desastre total. Sem meio termo. Nada podia ser só ok. O 67 deu pra uma geração inteira a permissão pra falar "tá bom, é isso, não vou estressar". É uma rebelião silenciosa contra a economia do engajamento.
Também é engraçado. É a parte que ninguém comenta. A nota só funciona por causa da cara séria. "Aquele pôr do sol? Six-seven." "A comida da sua mãe? Six-seven." A comédia tá em se recusar a se impressionar e se recusar a se decepcionar ao mesmo tempo. É energia Buster Keaton.
A ponte é a parte que mais dizemos a sério. "The whole world's mid and that's perfectly alright." Se você cresceu na sinceridade exagerada da internet, na hipérbole, em todo vídeo sendo "INSANE" e toda comida sendo "a melhor de todos os tempos", o 67 parece uma janela abrindo. Você tem permissão pra achar que as coisas estão bem. Tem permissão pra não ter opinião. Isso é gigante.
Mr. 67 o personagem é metade TK, metade todo moleque que pegou a nota e fez dela seu idioma. Não é herói, não é vilão, nem particularmente interessante. Essa é a piada. Esse é o ponto também. É só um cara que avalia coisas. E de algum jeito isso basta.
A gente fez a música curta de propósito. Pouco menos de dois minutos. O 67 não precisa de meditação de cinco minutos. O ponto inteiro é a brevidade. Bate, vibra, segue o dia. Six-seven.
Tudo é um 6-7 se você apertar os olhos do jeito certo. Essa é a música inteira. Essa é a piada inteira.
Perfect State