67 Around the World é a música que a gente tava esperando escrever desde a primeira vez que viu uma criança em outro país fazer o sinal. Tem um momento em que você percebe que algo que achava local virou global, e a única reação honesta é espanto. A gente tentou botar esse espanto em fita.
Os versos são basicamente uma carta de amor pra um mapa. Filadélfia até Atlanta. Melbourne até Xangai. Viena até Hanói. Paris até Toronto. Manila até Lagos. Cidade do Cabo até Mumbai. A gente sofreu escolhendo quais cidades nomear e quais deixar de fora. Toda cidade merecia um shout. Três minutos não dava. Quarenta e cinco também não daria. Tá em todo lugar.
O que é loko (e o que a gente tentou capturar) é que ninguém coordenou isso. Não teve rollout global. Sem agência. Sem campanha. O mundo simplesmente fez. Mesmo sinal, mesmo som, mesma energia, em cidades que não têm nada em comum. "Different countries, different faces, and yet we all feel the same." Essa é a música inteira.
A ponte cita o Maverick pelo nome. "It started with a song and then a maverick made it fly." Foi de propósito. A cadeia de momentos que levou o mundo a pegar isso sempre volta naquele jogo da AAU. Skrilla plantou a semente, TK deu idioma, Mav deu cara. Depois disso o mundo correu sozinho.
A gente fez a música mais longa que o resto do álbum de propósito. Quase quatro minutos e meio. Três versos completos. Precisava da pista pra caber pelo menos metade das cidades que a gente queria nomear. Mesmo com a pista a gente perdeu metade. Pra qualquer cidade que a gente não falou em voz alta: vocês estão no canto também. A lista é só a parte que coube.
O ponto real da música não é a geografia. É a sensação de que nada disso precisava ter acontecido. O mundo não tinha que concordar em nada. Mas concordou. Por um ano estranho e lindo, o planeta teve um código compartilhado. Dois números. Duas mãos. Esse é o hino global. Six-seven, todo continente, nunca para.
Perfect State