Doot Doot Parade (67) é nossa segunda cantiga de ninar, e sinceramente, a demanda era real. Os pais viviam nos dizendo que "6, 7… 8" era a única coisa que fazia o filho deles dormir à noite, e depois perguntavam, com educação mas insistindo, se a gente tinha outra. Ainda não tinha. Então a gente escreveu.
O título é a piada que deu origem à música inteira. Doot Doot (67) é o original do Skrilla, a faixa de drill da Filadélfia que colocou o 67 no mapa desde o início: quarteirão real, peso real, história real. A gente pegou o "doot doot" e marchou com ele o mais longe possível do sudoeste da Filadélfia: um desfile à luz de vela de criancinhas por uma cidade medieval de conto de fadas, todo mundo de pijama igual, ninguém com mais de sete anos. Se o Skrilla algum dia ouvir essa versão, a gente deve uma explicação e provavelmente um pedido de desculpas.
A cidade em si é Rothenburg ob der Tauber, a cidade medieval murada da Baviera com as torres, as pedras portuguesas e um Vigia Noturno de verdade, profissional, que ainda anda pelas ruas depois que escurece mandando todo mundo pra casa. A gente não contratou ele. A gente não pediu nada. A gente tem quase certeza que ele não ia aprovar um desfile de crianças gritando "seis-sete" em cima das pedras dele na hora de dormir, e é exatamente por isso que achamos engraçado.
Sonoramente é uma cantiga de ninar chill trap a uns 80 bpm, construída em cima de uma voz feminina suave e sussurrada que nunca tenta competir com o resto do ambiente. A percussão de marcha começa leve e brincalhona, uma caixa clara ali, um shuffle aqui, e vai se acalmando aos poucos até sobrar basicamente uma batida de coração marcando o tempo. Pads quentes por baixo, uma reverb levinha por cima, só o espaço necessário pra parecer um quarto e não uma caverna. Ainda brincalhona no fundo. Só fica mais quieta a cada compasso, como se estivesse se aconchegando sozinha.
A linha "flags are folding down" tá fazendo trabalho duplo. É o desfile terminando por aquela noite, claro. Mas também é simplesmente o que acontece com qualquer criança de quatro anos segurando uma bandeira depois da hora de dormir. A bandeira murcha antes da criança, sempre, e todo pai ou mãe lendo isso sabe exatamente o momento que a gente tá falando.
A gente tentou fazer o final sumir em vez de terminar. Sem refrão final grandioso, sem mudança de tom, nada que fosse acordar ninguém de novo. Só "doot doot" repetido cada vez mais devagar até parar de ser uma palavra e virar respiração. Se "6, 7… 8" era o álbum fechando os olhos, essa aqui é a cidade inteira fechando os olhos junto com ele.
Essa é pra toda criança que já foi levada pra cama com duas sílabas batidas na palma da mão e um número inventado, e pra todo pai e mãe que já ficou grato por isso. Doot doot. Seis-sete. Boa noite, marchantes pequenos.
Perfect State